Sejam todos muito bem-vindos! Depois de um ano de sucesso é chegada a hora de "mimar" o nosso blogue alterando-lhe o visual... ;) Alteram-se umas coisas, mas continua-se a apostar no mais importante: Partilha, Estudo e Brincadeira... para que possamos aprender sempre um pouco mais! Portanto mãos à obra, pois "Saber é Poder"!!! ;) Hugs and Kisses
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quinta-feira, 1 de julho de 2021

Feira de trocas Solidária

 Caros EE e restante Comunidade Escolar,

Sintam.se convidados para visitar a nossa feira e contribuir para uma causa solidária!

4ª, 5ª e 6ª feira nos intervalos da manhã e da tarde.


















segunda-feira, 28 de junho de 2021

Feira de Trocas Solidária
























 Está a começar a ganhar forma, a nossa feirinha solidária 🤩☺️

Ler ao ar livre... tão bom☺️

 




sábado, 12 de junho de 2021

A bela Infanta




 BELA INFANTA


Estava a bela infanta
No seu jardim assentada,
Como o pente de oiro fino
Seus cabelos penteava.
Deitou os olhos ao mar
Viu vir uma nobre armada;
Capitão que nela vinha,
Muito bem que a governava. 1
– «Diz-me, ó capitão 2
Dessa tua nobre armada,
Se encontraste meu marido
Na terra que Deus pisava?»
– «Anda tanto cavaleiro
Naquela terra sagrada...
Diz-me tu, ó senhora,
As senhas que ele levava.»
– «Levava cavalo branco,
Selim de prata doirada;
Na ponta da sua lança 3
A cruz de Cristo levava.»
– «Pelos sinais que me deste 4
Lá o vi numa estacada
Morreu morte de valente:
Eu sua morte vingava.»
– «Ai triste de mim viúva,
Ai triste de mim coitada!
De três filhinhas que tenho,
Sem nenhuma ser casada!...»
– «Que dirias tu, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «Dera-lhe oiro e prata fina,
Quanta riqueza há por i.»
– «Não quero oiro nem prata,
Não nos quero para mi:
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «De três moinhos que tenho,
Todos três tos dera a ti;
Um mói o cravo e a canela 5
Outro mói do gerzeli: 6
Rica farinha que fazem!
Tomara-os el-rei pra si»
– «Os teus moinhos não quero
Não nos quero para mi;
Que diria mais senhora,
A quem to trouxera aqui?»
– «As telhas do meu telhado
Que são oiro e marfim.»
– «As telhas do teu telhado
Não nas quero para mi:
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?»
– «De três filhas que eu tenho, 7
Todas três te daria a ti:
Uma para te calçar,
Outra para te vestir,
A mais formosa de todas
Para contigo dormir.»
– «As tuas filhas, infanta,
Não são damas para mi:
Dá-me outra coisa senhora,
Se queres que o traga aqui.
– «Não tenho mais que te dar,
Nem tu mais que me pedir.» 8
– «Tudo, não, senhora minha,
Que inda te não deste a ti.»
– «Cavaleiro que tal pede,
Que tão vilão é de si 9
Por meus vilões arrastado
O farei andar aí
Ao rabo do meu cavalo. 10
À volta do meu jardim
Vassalos, os meus vassalos,
Acudi-me agora aqui!»
– «Este anel de sete pedras
Que eu contigo reparti...
Que é dela a outra metade?
Pois a minha, vê-la aí!»
– «Tantos anos que chorei, 11
Tantos sustos que tremi!...
Deus te perdoe, marido,
Que me ias matando aqui.»
Almeida Garrett, Romanceiro
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Bela Infanta, uma das mais belas narrativas poéticas da tradição oral portuguesa, é de inquestionável origem medieval. Surgiu no século XVI, tempo das grandes navegações, quando os homens deixavam suas mulheres e se lançavam ao mar sem certeza de retorno. Esta versão foi recolhida na Beira Baixa e embelezada por Almeida Garrett, quem pela primeira vez em Portugal iniciou o trabalho de recolha, estudo e publicação da nossa poesia tradicional oral, cujo resultado deu origem a três volumes intitulados Romanceiro (1851). Bela Infanta «é sem questão a mais geralmente sabida e cantada de nossas xácaras populares» afirma Garrett.
Neste romance, o tema principal é o regresso do marido que a infanta espera sentada no seu jardim. O tempo da ação é indeterminado, pois as marcas temporais não são precisas. Porém, podemos afirmar que a ação se desenrola numa época histórica, o tempo da Expansão e das Cruzadas: «Viu vir uma nobre armada;», «Se encontraste meu marido / Na terra que Deus pisava.», «Na ponta da sua lança / A cruz de Cristo levava.» 

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ESTRUTURA DA AÇÃO
Ordem existente
Situação Inicial
Acontecimento perturbador
«Estava a bela Infanta no seu jardim assentada…»
«Viu vir uma nobre armada»
Ordem perturbado
Dinâmica do desequilíbrio
Forço retificadora
Notícia da morte do marido / a viuvez
As senhas pedidas pelo capitão
Ordem restabelecida
Situação final
Reconhecimento do marido

TEMPO
TEMPO
Tempo indeterminado - «estava…» (característica da literatura oral tradicional).
Tempo histórico - Descobrimentos (referências ao «oiro fino»à nobrarmada, às especiarias - cravo, canela, “gerzell” -, ao ouro, à prata e ao marfim; referência às cruzadas, à «terra que Deus pisavaou Terra Santa no Médio Oriente, com o cavaleiro que levava «selide prata doirado», um cavalo branco e a «cruz de Cristo» na ponta da sua lança).

ESPAÇO
Espaço muito restrito – Jardim (local de encontro); alusão ao mar («viu vir uma nobre armada») e ao Oriente Médio (à Terra Santa).

PERSONAGENS
A Infanta e o Capitão; referências às três filhas e aos vassalos.

GRADAÇÃO DAS PROVAS
Nível material: oiro e prata  moinhos  telhas.
Nível de relação afetivo-espiritual: ela própria.

TEMA
Fidelidade.
CLASSIFICAÇÃO
Romance tradicional novelesco (ou xácara popular, na expressão de Almeida Garrett), com elementos do romance histórico marítimo.

SIMBOLOGIA
Jardim – local do encontro amoroso.
Cabelos – a beleza feminina, mas também os fios que ligam à vida e ao amor.
Sinais do cavaleiro: selim de prata dourada – simboliza a nobreza; lança com a cruz de Cristo – guerreiro com espírito de cruzada.
Oiro, prata e marfim; cravo, canela e «gerzeli» - riqueza material / estatuto social e económico.
Moinhos – subsistência: o alimento.
Telhas – a própria casa: a existência.
Número 3 – a perfeição; a totalidade; a globalidade.
Número 7 – o completar de um ciclo; o repouso do herói; a felicidade; o encontro com a verdade.

LINGUAGEM E ESTILO
Linguagem simples, metafórica, oral e coloquial, emotiva, com marcas épico-líricas dramáticas; a descrição narrativa inicial dá lugar ao diálogo, onde predominam as frases de tipo exclamativo e interrogativo.

...in:https://folhadepoesia.blogspot.com/2018/07/bela-infanta.html

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Visita Guiada

Visita Guiada: Pintura de Almada Negreiros nas Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha Conde de Óbidos - Dos painéis que em finais dos anos 40 do séc. XX Almada Negr

quinta-feira, 10 de junho de 2021

#EstudoEmCasa - Nau Catrineta de Almeida Garrett


Meus queridos,

Cá vai uma aula do #EstudoEmCasa que vale muito a pena assistir!

 https://www.rtp.pt/play/estudoemcasa/p7800/e541245/portugues-5-e-6-anos

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Nau Catrineta



Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar!
Ouvide agora, senhores,
Uma história de pasmar.

Passava mais de ano e dia
Que iam na volta do mar,
Já não tinham que comer,
Já não tinham que manjar.

Deitaram sola de molho
Para o outro dia jantar;
Mas a sola era tão rija,
Que a não puderam tragar.

Deitaram sortes à ventura
Qual se havia de matar;
Logo foi cair a sorte
No capitão general.

– “Sobe, sobe, marujinho,
Àquele mastro real,
Vê se vês terras de Espanha,
As praias de Portugal!”

– “Não vejo terras de Espanha,
Nem praias de Portugal;
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar.”

– “Acima, acima, gageiro,
Acima ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal!”

– “Alvíssaras, capitão,
Meu capitão general!
Já vejo terras de Espanha,
Areias de Portugal!”
Mais enxergo três meninas,
Debaixo de um laranjal:
Uma sentada a coser,
Outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas
Está no meio a chorar.”

– “Todas três são minhas filhas,
Oh! quem mas dera abraçar!
A mais formosa de todas
Contigo a hei-de casar.”

– “A vossa filha não quero,
Que vos custou a criar.”

– “Dar-te-ei tanto dinheiro
Que o não possas contar.”

– “Não quero o vosso dinheiro
Pois vos custou a ganhar.”

– “Dou-te o meu cavalo branco,
Que nunca houve outro igual.”

– “Guardai o vosso cavalo,
Que vos custou a ensinar.”

– “Dar-te-ei a Catrineta,
Para nela navegar.”

– “Não quero a Nau Catrineta,
Que a não sei governar.”

– “Que queres tu, meu gageiro,
Que alvíssaras te hei-de dar?”

– “Capitão, quero a tua alma,
Para comigo a levar!”

– “Renego de ti, demónio,
Que me estavas a tentar!
A minha alma é só de Deus;
O corpo dou eu ao mar.”

Tomou-o um anjo nos braços,
Não no deixou afogar.
Deu um estouro o demónio,
Acalmaram vento e mar;

E à noite a Nau Catrineta
Estava em terra a varar.

(Recolhido por Almeida Garrett)

O presente poema, originário da tradição oral, relata as dificuldades alimentares por que passavam os marinheiros portugueses nos primeiros tempos da epopeia marítima, face a um mar poderoso que era visto como uma força demoníaca que apenas a fé religiosa poderia dominar.

Ao fim de um ano e um dia de viagem, já sem alimentos, os corajosos marinheiros lançam à sorte quem haveriam de matar para servir de refeição. A pouca sorte recai sobre o próprio capitão do navio que pede a um marujinho que suba ao mastro real para ver se avista «terras de Espanha, as praias de Portugal!».

O marujo assume aqui o papel de diabo, a quem o capitão oferece o que tem de mais precioso para se salvar deste trágico destino.

Por ordem ascendente de que ele considera mais precioso, começa por oferecer a sua filha mais formosa, depois muito dinheiro, a seguir o seu cavalo branco e, por último, a sua maior preciosidade, a Nau Catrineta.

O demónio recusa todas estas ofertas, pois só está interessado na alma do capitão. A este só resta lançar-se ao mar para morrer com a dignidade própria de um marinheiro. Um anjo, porém, ampara-o, poupando a sua vida.

E na noite daquele mesmo dia, tudo acaba em bem, com a Nau Catrineta «em terra a varar».

in:https://www.leme.pt/magazine/simplicidade-poetica/nau-catrineta/


 

terça-feira, 8 de junho de 2021

Painéis de Almada Negreiros


Almada Negreiros foi um dos nomes maiores do modernismo português. Cultíssimo, iconoclasta, genial na pintura, na poesia e futurista e tudo, foi anti-Dantas mas sobretudo mostrou-se sempre numa dimensão que engrandece Portugal. O Porto de Lisboa preserva e mostra algumas das suas obras mais emblemáticas: os painéis das gares marítimas de Lisboa.


https://ensina.rtp.pt/artigo/os-paineis-de-almada-negreiros-que-afrontaram-o-estado-novo/ 


Visita Virtual aos painéis de Almada Negreiros nas gares de Alcântara e Rocha Conde de Óbidos



Quem foi Almada Negreiros???






segunda-feira, 7 de junho de 2021

Almeida Garrett




Almeida Garrett (1799-1855) foi jornalista, legislador, poeta e escritor. Foi percursor do Romantismo em Portugal. Envolve-se na guerras liberais ao lado de D. Pedro, razão porque se viu obrigado a procurar o exílio por duas vezes.

Nasceu no Porto em 4 de Fevereiro de 1799 com o nome João Baptista da Silva Leitão. Estudou Direito em Coimbra, onde adoptou o nome Almeida Garrett, destacando-se como orador notável, batendo-se por causas.

Como autor tem uma vasta bibliografia onde se destacam “Frei Luís de Sousa” e “Viagens na minha Terra”, mas Garrett foi também ministro e par do reino, desenvolvendo uma carreira política após as guerras liberais, chegando a receber o título nobiliárquico de Visconde.

Enquanto membro do Governo é responsável pela criação do Teatro Nacional D. Maria II e do Conservatório de Arte Dramática.

Os períodos de exílio levaram-no a contactar com outros autores de origem britânica e francesa que tiveram forte influência na sua obra. 

https://ensina.rtp.pt/artigo/minibiografia-de-almeida-garrett/










 

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Projeto "Histórias vividas, histórias contadas" - 6ºC

 Hoje contamos com a presença de alguém que muito teve que contar! Momentos únicos de partilhas e ensinamentos!

Foram 90 minutos que voaram num ápice... 

Muito Obrigada por tudo o que nos transmitiu, pela lição e história de vida!

Aqui ficam imagens que ilustram a passagem deste poeta, que por acaso até é avô do nosso A.Realinho :)