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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Jorinda e Joringuel - Irmãos Grimm

Jorinda e Joringuel- Irmãos Grimm


O conto que em baixo se transcreve  é o nº 69 da lista dos Contos de fadas para o lar e as crianças (Kinder- und Hausmärchen) dos Irmãos Grimm.
Ilustração Stephanie Hannah Martin
«Era uma vez um castelo antigo, no meio de uma densa floresta, onde morava sozinha uma velha que era uma temível bruxa.  De dia, transformava-se em gata ou em coruja e, de noite, retomava regularmente forma humana. Com as suas artes mágicas, atraía animais selvagens e pássaros que depois matava e cozinhava para comer.
Ai de quem se aproximasse do castelo! Num raio de mil passos a toda a volta, a floresta estava embruxada. Quem, distraidamente, ali penetrasse ficaria mudo e quedo, sem se poder mexer, até que a bruxa o quisesse vir libertar. E, se fosse uma rapariga, pior: a bruxa transformava-a em pássaro, fechava-a numa gaiola e levava-a para uma sala do castelo, onde havia já mais de sete mil destas aves.
Ilustração de Bernadette Watts
Ora havia naquele tempo uma linda rapariga chamada Jorinda que amava ternamente um gentil rapaz chamado Joringuel. Estavam noivos e pouco faltava para o dia do casamento. Certa tarde, como estava um tempo magnífico, foram passear para a floresta. O sol brilhava entre as folhas verdes e os pássaros cantavam nos ramos.
De repente, sentiram uma grande tristeza. Olharam em volta: o sol começava a esconder-se atrás dos montes e estavam perdidos. Joringuel avançou uns passos e descobriu, aterrorizado, por entre as árvores, os muros do castelo. Ouviu Jorinda cantar:
– O passarito do anel azul,
(que triste sorte!)
à pomba canta a sua morte
Tristemente canta: tac-tac-uit-uit
Joringuel olhou em redor à procura de Joringa. E viu-a transformada num rouxinol a cantar ” piu.., piu., piu..” Uma coruja com olhos flamejantes voou em círculo três vezes à volta dela e das três vezes piou: “uúu … uúu… uúu”.
ilustração de Adrienne Segur
Joringuel, transformado em estátua, não podia chorar, nem falar, nem mexer um dedo.
O sol pôs-se por completo. A coruja voou para uma moita e, de súbito, saiu de lá uma velha corcovada, amarela e magra, com olhos vermelhos e um nariz tão adunco que a ponta lhe tocava no queixo.
Murmurando qualquer coisa, pegou no rouxinol e levou-o bem apertado na mão. Joringuel não podia mexer-se nem dizer nada eo rouxinol já ia longe.
Finalmente, a velha voltou e disse em voz surda:
– Salve, Zequiel, a lua brilha no charco. Liberta-o, Zequiel, de imediato.
Então Joringuel ficou livre. Lançou-se aos pés da velha, suplicou-lhe que lhe restituísse a sua querida Jorinda, mas a bruxa jurou-lhe que nunca mais a veria e desapareceu.
Joringuel gritou, chorou e desesperou-se. Em vão.
Depois pôs-se a caminho. Andou, andou, andou. Chegou, por fim, a uma aldeia desconhecida onde ficou a tomar conta das ovelhas. Às vezes ia com o rebanho para perto do castelo, mas nunca se aproximava.
Certa noite sonhou que tinha encontrado uma flor vermelha, cor de sangue, em cujo centro havia uma pérola enorme, lindíssima. No sonho colhia-a e ia ao castelo. Tudo aquilo que com ela tocava ficava desencantado e assim recuperava a sua querida Jorinda.
De manhã, mal acordou, Joringuel começou a procurar por montes e vales a flor do sonho. Procurou sem descanso e, por fim, na madrugada do nono dia, encontrou uma flor vermelha, cor de sangue. Na corola havia uma gota de orvalho, enorme e brilhante como uma pérola magnífica.
Ilustração de Kay Konrad
Ao vê-lo, ficou enraivecida. Gritou, lançou-lhe fel e veneno, mas não pôde aproximar-se dele mais do que dois passos. Joringuel não lhe ligou. Toda a sua atenção estava concentrada nas gaiolas: entre tantos milhares de pássaros, como podia reconhecer a sua Jorinda?
Enquanto os observava, apercebeu-se de que a velha pegara numa gaiola e tentava fugir. Correu atrás dela e tocou-lhe com a flor. A bruxa perdeu as suas artes mágicas e Jorinda lançou-se-lhe nos braços, mais bela do que nunca. Quebrado o encanto, todos os outros pássaros se transformaram em lindas raparigas.
Depois voltou para casa com a sua Jorinda e viveram juntos e felizes por muitos e muitos anos.» (adaptado e corrigido)
in Os mais belos contos de Grimm, Civilização;  fonte:  Jorinda e Joringuel – Porto Editora (atenção à falta do 6º parágrafo em alguns manuais, reproduzindo o erro da edição da Civilização.)


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Em baixo podes deliciar-te com uma versão moderna desta história, ao som da música de Vivaldi. És capaz de descobrir as diferenças entre as duas versões?
  • E ainda:
    • Aprecia aqui  mais duas versões animadas de “Jorinda e Joringuel” e através de uma delas fica a conhecer  a linda canção da Jorinda.


Posted by Manuela DLRamos em Maio 30, 2013 in https://bibliobeiriz.wordpress.com/2013/05/30/jorinda-e-joringuel-irmaos-grimm/

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